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Sonhadores

Porque ensinar o povo a sonhar?

“Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a Deus.”
Eclesiastes 5:7

“O Golfinho – A história de um sonhador” é o título de um filme que foi indicado e emprestado a meus filhos por um irmão. A princípio bem bonitinho. Conta a história de um golfinho adolescente chamado Daniel Alexandre Golfinho, que acredita que o verdadeiro sentido da vida é encontrar a onda perfeita. Ele deixa sua família e segue em busca de seu sonho. Por diversas vezes, no fundo, uma voz doce de mulher, a voz do oceano diz que ele tem que escutar seu próprio coração, foi ai que dei um pulo da cadeira.

É essa a grande mentira que foi contada a essa geração! Comecei a pensar no efeito que essa frase causou e tem causado aos nossos contemporâneos. Empresas pagam horas a um consultor, e durante alguns anos eu fui um deles, prestando serviços para Renalt, Nissan, V.W, Citröen, Microlins, Só Frango (Sadía), Embrepar e uma infinidade de clientes. Não se paga pouco a um consultor. Para se ter noção, cobrávamos uma diária de R$500,00 na época, e tínhamos que rejeitar alguns clientes por falta de tempo na agenda, apenas para usar técnicas de Psiconeurolingüistica para ensiná-los a serem obstinados, e seguir sempre seus sonhos, a voz do seu coração. Oh, Deus como me arrependo! Ajudei a afundar um monte de vidas.

Você pode estar surpreso com a minha tristeza, pois não é algo bom fazer que pessoas tenham sonhos? Respondo que não! Não fomos criados para isso.

“Porque, da muita ocupação vêm os sonhos, e a voz do tolo da multidão das palavras”.

Eclesiastes 5:3

O homem que corre atrás de seus sonhos comete três erros graves. O primeiro é sobre a ocupação. Ele não tem tempo para nada, somente para seu sonho, e esse sonho nunca é satisfeito, pois se ele queria uma casa e um carro, quando ele tem, ele passa querer uma casa muito maior, e dois carros mais caros, sempre correndo atrás de algo maior. Seus amigos não o têm mais, nem seus filhos, nem sua mulher, nem Deus. Esse homem perde seus filhos para o mundo, é tratado como um estranho por eles. Sua mulher sozinha, não tem um companheiro que converse e divida os problemas domésticos e cotidianos, por fim ele perde seu casamento, mais não se dá por vencido e casa com outra. Nesse ínterim ele perdeu Deus duas vezes, primeiro porque não poderia ter casado outra vez, e deveria amar sua mulher como Cristo ama sua igreja e por ela se entregou, e também porque não sabe mais o que é orar, ler a palavra, se alimentar do pão do céu.

O diabo quer que estejamos correndo, correndo, correndo, para que venhamos perder os primeiros projetos de Deus para nós: a família, o casamento, a comunhão com ele. O pior não é isso, é que deixamos de viver os sonhos de Deus para nossa vida. Igrejas andam pregando esses princípios de auto-ajuda, os livros mais vendidos são exatamente esses, as músicas cantadas nas igrejas e tocadas nas rádios gospel tem sido essas, que fazem bem ao ego e massageiam a alma. Se pelo menos os homens lesses a palavra de Deus, poucos cairiam nesse engano.

Veja os homens da bíblia que queria seguir seus sonhos: o primeiro é Sansão, que tinha um chamado, um projeto de Deus, e acabou cego, preso, se suicidando, por querer uma mulher. Jonas não queria ministrar em Nínive, por isso pegou por sua conta um navio para Jope, seguindo para Tarsis, mais Deus o trouxe, na marra para onde deveria ir. Agora o que diríamos sobre seguir os próprios sonhos para os que escolheram obedecer a Deus e deixar suas vidas para ganhar algo mais excelente na glória? Estou falando de João Batista, de Pedro, de Noé, Abraão e do próprio Jesus. Eles deixaram tudo, tudo mesmo, para viver os sonhos de Deus.

Quero perguntar se você já ouviu falar de John Wesley? De Charles Finney? John Huss? Jorge Müller? E tantos outros, que deixaram suas vidas, seus sonhos, sua história para viver o que Deus lhes tinha determinado.

Pedro quando foi ser crucificado, pediu que sua cruz fosse colocada de cabeça para baixo, e quando o questionaram porquê, ele simplesmente respondeu: “Não sou DIGNO de morrer como o meu Senhor”!

Quando dois jovens Moravianos se despediam de seus amigos e familiares no porto, para seguir rumo a um lugar de onde não mais voltariam, pois se entregariam como escravos em um determinado lugar, dando suas vidas, para poder pregar o evangelho aos demais escravos, foram questionados por todos ali, pois ainda eram jovens e tinham muita coisa para viver, eles responderam: “Que o Cordeiro receba a recompensa por seus sofrimentos”! E ainda temos coragem de falar de sonhos? Isso na verdade é um culto ao ego.

As canções hoje não são mais como eram as antigas, me lembro de algumas que chocavam:

“Senhor Jesus, ainda não entendo espinhos, mais se a cruz é o fim desse caminho, dá-me mais graça, não sou maior que meu Senhor, apenas Servo”. Grupo Logus

“Se paz a mais doce me deres gozar, se dor a mais forte sofrer, ó seja o que for, tu me fazes saber que feliz com Jesus sempre sou”. Honório G. Spafford – ele escreveu essa música depois de perder três filhas em um naufrágio.

“Tudo, ó Cristo a ti entrego, tudo, sim, por ti darei! Resoluto, mais submisso, sempre, sempre, seguirei”! Judson W. Van de Venter

Mas hoje os líderes querem agradar seu público, pois “casa” cheia é casa próspera, por isso trocaram os hinos que conduziam o povo a uma contrição e a entregar suas vidas e história ao senhorio daquele que é dono dela, por músicas que dizem que não desista, eu serei uma benção, quero de volta o que o diabo roubou, vou viver o melhor dessa terra e outras grande mentiras.

Se você entendeu o que eu quis dizer, me perdoe se ofendi aquilo tudo que você aprendeu até hoje, mais é tempo de acordar. A hora se aproxima e o noivo já está as portas e não levará uma noiva sonhadora, preocupada com os afazeres dessa terra e ocupada demais.

Pr. Max Pond

Setembro de 2011